Medicina de Família e Comunidade

“Não precisamos saber apenas que doença a pessoa tem, mas que pessoa tem essa doença”. (Oliver Sacks)

A Medicina de Família e Comunidade – MFC – é uma especialidade médica com foco privilegiado na Atenção Primária à Saúde (APS).

Tem contribuído para a reestruturação científica da própria medicina adquirindo papel estratégico na conformação dos sistemas de saúde e nos campos da formação de recursos humanos e da pesquisa.

Isto porque, seus princípios e práticas são centrados na pessoa (e não na doença), na relação médico-paciente, na interlocução com o indivíduo, sua família e a comunidade em que está inserido, na prática orientada pelo entendimento de que o processo saúde-adoecimento é um fenômeno complexo, relacionado à interação de vários aspectos da vida.

Países como o Brasil, que não têm ainda uma atenção primária bem organizada, acabam desperdiçando preciosos recursos levando à iniqüidade e à degradação do sistema. Por isto, muitos países vêm investindo cada vez mais na Atenção Primária à Saúde.

Portugal, Canadá, Inglaterra, Cuba, Holanda, entre outros, consideram e adotam o especialista em medicina de família e comunidade (com diferentes denominações) como o profissional de primeiro contato, com excelentes resultados.

Na Inglaterra, 51% de todos os médicos do país são Médicos de Família (“General Practitioners”), no Canadá, representam 55%, em Cuba, cerca de 65% e na Holanda eles já somam 33%. No Brasil, apesar de existir desde 1976 e ter sido uma das primeiras especialidades oficializadas pela Comissão Nacional de Residência Médica já em 1981 e pelo Conselho Federal de Medicina em 1986, ela ficou muito tempo em posição marginal, só ganhando maior visibilidade após a expansão do Programa Saúde da Família.

MFC, portanto, não é uma novidade no Brasil ou no mundo. Também não significa o simples retorno do “médico de família” antigo, desprovido de uma tecnologia específica ou mesmo dos avanços modernos da ciência.

O aumento do conhecimento sobre esta especialidade, o incremento e o investimento na formação de excelência de especialistas na área, bem como a qualificação dos profissionais que atuam como “médicos de família” são questões estratégicas que permitirão a consolidação de um sistema de saúde mais eficaz e de qualidade, atuando em prol das mudanças que a construção de uma sociedade mais justa exige.

Objetivos da Medicina de Família e Comunidade

Baseada em princípios, conceitos e recomendações internacionais formalizadas pela Organização Mundial dos Médicos de Família – WONCA – a especialidade Medicina de Família e Comunidade tem por objetivos:

• Atuar, prioritariamente, no âmbito da Atenção Primaria à Saúde, a partir de uma abordagem biopsicosocial do processo saúde-adoecimento;
• Desenvolver ações integradas de promoção, proteção, recuperação da saúde no nível individual e coletivo.
• Priorizar a prática médica centrada na pessoa, na relação médico-paciente, com foco na família e orientada para comunidade, privilegiando o primeiro contato, o vínculo, a continuidade e a integralidade do cuidado na atenção à saúde;
• Coordenar os cuidados de saúde prestados a determinado indivíduo, família e comunidade, referenciando, sempre que necessário, para outros especialistas ou outros níveis e setores do sistema, mas sem perda do vínculo;
• Atender, com elevado grau de qualidade e resolutividade, no âmbito da Atenção Primária à Saúde, cerca de 85% dos problemas de saúde relativos a uma população específica, sem diferenciação de sexo ou faixa etária;
• Desenvolver, planejar, executar e avaliar, junto à equipe de saúde, programas integrais de atenção, objetivando dar respostas adequadas às necessidades de saúde de uma população adscrita, tendo por base metodologias apropriadas de investigação, com ênfase na utilização do método epidemiológico;
• Estimular a resiliência, a participação e a autonomia dos indivíduos, das famílias e da comunidade;
• Desenvolver novas tecnologias em atenção primária à saúde;
• Desenvolver habilidades no campo da metodologia pedagógica e a capacidade de auto aprendizagem;
• Desenvolver a capacidade de atuação médica, relevando seus aspectos científicos, éticos e sociais.

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